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TEXTO SOBRE ASTROLOGIA PSICOLÓGICA
por Márcia Ferreira
Um breve histórico de como
a astrologia caminhou durante os milênios até se chegar no que hoje se
chama de Astrologia Psicológica:
Os registros sobre astrologia datam de 4.000 AC, ou seja, há
mais de 6.000 anos, e este conhecimento partiu de uma observação dos
eventos celestes em relação aos acontecimentos terrestres...
As civilizações naquela época eram essencialmente agrícolas e
a observação dos fenômenos celestes se mostrou muito útil para prever, por
ex., a melhor época para plantios, ou em que época haveriam enchentes, os
eclipses por ex. eram tidos como
maus presságios, que determinada posição do planeta marte deflagrava
guerras, e assim por diante...eles começaram a estabelecer essa relação de
sincronicidade entre os eventos terrestres e celestes e percebiam que
haviam ciclos e que muitas coisas se repetiam nesses ciclos...
Desde então a astrologia nunca deixou de existir seja no Egito
e Grécia antigos, seja entre os gregos e romanos na virada de milenio, entre os árabes da Antiguidade, depois na
Europa na Idade Média, no Renascentismo onde tivemos todos aqueles
expoentes que além de físicos e matemáticos também eram astrólogos:
Copérnico, Nostradamus, Galileu Galiei, Kepler, Newton, só para citar
alguns...e durante todos estes milênios ela teve seus altos e baixos, e
continua presente até os dias de hoje.
Só que durante todos estes milênios, a astrologia se apresentava de uma
maneira mais preditiva, isto é,
mais voltada para os acontecimentos
externos, ( o que é a grande
diferença em relação a astrologia psicológica ) e é assim , desta maneira
preditiva, como ela é popularmente mais conhecida até os dias de hoje
também.
A partir do fim do século XIX, os estudos dos aspectos
psicológicos do ser humano se intensificaram. Surgiu Freud no começo do século
XX e, com ele, a descoberta do inconsciente. Os processos inconscientes da psique humana tornaram-se então
conhecidos.
Carl Gustav Jung, que
foi um discípulo de Freud,
reconheceu o potencial da astrologia como uma ferramenta para se
explorar a mente…ele mesmo afirmava que a astrologia teria muito a oferecer
à psicologia. Ele entendia a astrologia como uma correlação de
sincronicidade entre os fenomenos psicológicos e os eventos astrológicos.
Já a partir do século XX, mais precisamente a partir de 1930,
a astrologia então começa a ganhar
um novo enfoque, que seria então, este enfoque com caráter mais psicológico:
Dane Rudhyar , que foi um psicólogo, astrólogo e filósofo
americano, começou a reformular a astrologia moderna usando como base
a psicologia analítica de Jung. Ele se focalizou principalmente na
idéia de Jung de que a psique era o conjunto de forças opostas em
equilíbrio e que deveriam evoluir em direção a sua inteireza, um
processo que Jung chamava de individuação, sobre o que falaremos mais um pouco adiante.
Rudhyar foi o primeiro a reconhecer como a astrologia e a
psicologia humanista se completavam. Descobriu que o o mapa, então,
poderia ser usado como um instrumento para estudar o complexo mundo
interior que os psicólogos humanistas, a qual grupo ele pertencia, estavam começando a explorar. Também
faziam parte deste grupo e desta visão, Alan Leo e Charles Carter, outros
astrólogos e depois, mais recentemente, Liz Greene.
Já chegando então, nesta visão do Jung, e principalmente pela
teoria dos arquétipos , (que foi uma contribuição dele também) , é que nós
aqui do CEAP nos juntamos a este pensamento de entender a astrologia com
este enfoque psicológico e arquetípico; e o que seriam arquétipos? arquétipos
seriam padrões, matrizes, idéias arcaicas, que estão presentes na psique de
todos os seres humanos e que são a matéria prima dos sonhos, das artes, dos
mitos, de tudo o que é criado pelo homem, e são transmitidos pelo
inconsciente coletivo. Independente da civilização e da época, estes
símbolos permanecem.
O mapa astrológico é então desta maneira enfocado: como
um agrupamento de símbolos arquetípicos , que na linguagem
astrológica são os planetas, signos, etc...e que para cada pessoa se dá uma
configuração específica e que o astrólogo então irá traduzir, interpretar
estes símbolos.
O mapa seria então um raio-x daquela personalidade, daquela
configuração energética , assim como uma impressão digital, este é o
enfoque que tentamos transmitir desde o 1º dia de aula do curso básico do CEAP: por isso
justamente o mapa se configurar como uma excelente ferramenta de psicodiagnóstico, uma ferramenta para se ter um diagnóstico
psicológico muito profundo .
É um enfoque em relação à
astrologia muito mais de dentro para fora do que de fora para dentro;
eu brinco com meus alunos que não é que o planeta emitiu um raio e atingiu
a pessoa e por isso que ela é assim, e sim porque esta configuração
arquetípica estava presente naquele momento.
O princípio fundamental da astrologia é a máxima “assim em
cima como em baixo”, ou seja, esta correlação entre o cosmos e um
nascimento específico numa determinada hora e num determinado lugar. O
cosmos estaria então espelhando a psique...não é uma relação causal, como é
comum de se ver na ciencia, e sim de sincronicidade , do microcosmos
contendo a informação do
macrocosmos, de que há esta unicidade entre o que está indicado no céu e a
personalidade em potencial; assim como em muitas descobertas recentes da
física quantica, que cada parte
conteria o todo a nível de informação...da mesma maneira, para nós em
astrologia, o microcosmos estaria contendo a informação do macrocosmos.
Gosto também de usar em aula para explicitar esta compreensão
a frase de um guru oriental, Yogananda: “ a alma só desce à matéria quando
existe harmonia matemática entre o cosmos e o karma individual”, ou seja,
existe este momento e lugar específico para o nascimento de um ser.
E para completar então nossa visão em relação à astrologia
psicológica, o mapa funciona então como o próprio nome diz, como um mapa,
um roteiro para esta jornada desta alma, para esta vida; é como se no meio
a um trajeto escuro tivéssemos então uma bússola e uma lanterna nos
mostrando o caminho e a direção a tomar ( através da leitura do mapa).
Voltando então àquele enfoque mais tradicional e mais
preditivo em relação à astrologia, uma previsão neste enfoque de astrologia
psicológica , pode ser feita da mesma maneira, partindo-se do princípio de
que o mais importante não é o incidente externo em si, e sim o seu significado;
um determinado aspecto ou transito pode se manifestar de várias maneiras e
mesmo sem sabermos exatamente qual será a manifestação física, podemos
prever com bastante precisão a qualidade
e o significado daquele momento.
O mais importante não é a
manifestação física que pode assumir várias roupagens, mas sim, o
significado psíquico.
E ainda, voltando àquela colocação do Jung sobre o
processo de individuação, que seria o indivíduo tornar-se si mesmo, e com a
compreensão da psique como sendo um conjunto de forças psíquicas que
deveriam caminhar em direção a uma inteireza que é o processo de
individuação, o mapa sinalizaria esta jornada,
o que pode ser extremamente útil quando se pretende uma revelação da alma
humana.
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