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C.E.A.P.
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Convênio com faculdade nos EUA |
A ASTROLOGIA E A NOVA FÍSICA: INTEGRANDO A
CIÊNCIA SAGRADA E A SECULAR
Ph.D. William Keepin
- Introdução de Robert Hand
ROBERT HAND: WILLIAM KEEPIN: Permitam-me discorrer um pouco sobre meu background astrológico,
que é bastante limitado. Tive a grande sorte de estudar com Stanislav Grof
por aproximadamente três anos e, durante seu curso, Rick Tarnas veio por uma
semana e fez uma série de apresentações sobre astrologia, após o quê, comecei
a estudar meu próprio mapa, olhando particularmente para aspectos e
trânsitos, bem como mapas de familiares. Em resumo, fui sendo conduzido com
grande critério e cuidadosamente por Rick. E lhe sou muito grato por isso,
pois minha abertura para a astrologia realmente veio por seu intermédio. O momento-chave, meu momento inicial de transformação, veio ao
observar o mapa de uma familiar muito próxima. Muitos anos antes ela tinha
tido um surto psicótico, quando foi diagnosticada como esquizofrênica, tendo
passado por consecutivas internações em hospitais psiquiátricos. Em seu mapa
natal ela apresentava uma conjunção Marte-Urano em quadratura a Netuno,
estando Netuno também em trígono a uma conjunção Vênus-Mercúrio. Quando ela
teve este problema, Plutão estava se aplicando sobre seu Netuno, fomentando,
portanto, a desafiadora quadratura à conjunção Marte-Urano. Daí que, precisamente
em Novembro de 1982, no mês em que teve que ser internada, Saturno entrou em
conjunção com Plutão também. Ela sofreu, portanto, os trânsitos de Saturno e
Plutão em conjunção a Netuno, que é, claramente, um trânsito que só ocorre
uma vez na vida, e teve, conseqüentemente, um tipo também único de
experiência vital. Aquela constatação representou uma grande abertura para
mim, levando-me a investigar mais de perto a astrologia, o que continuo
fazendo até hoje. Quero, portanto, dizer que é para mim uma grande honra e
privilégio estar aqui. O que lhes quero ainda acrescentar é que, quando fui
me encontrar com Bob Hand, Rick estava me acompanhando. E, como Bob alertou,
foi verdadeiramente uma das mais fascinantes discussões de que eu também
tomei parte. Cobrimos uma ampla gama de tópicos e, em seguida, fomos Rick e
eu, para uma conferência. Acho que nunca comentei a respeito com o Rick mas,
no vôo de volta a Frisco, enquanto conversávamos, eu subitamente senti a
profundidade do que estava se passando. Eu tive o sentimento muito distinto e
claro de que a parte de trás de minha cabeça se abrira e de que tinha sido
removida. Tive a sensação de estar numa comunicação muito direta com o
sentimento cósmico ou comunhão na parte posterior de minha cabeça - foi quase
como uma sensação física palpável. No momento, pensei apenas: "Nossa,
que interessante!" Mas, retrospectivamente, sei dar o devido valor
àquele momento. O que tenho a lhes oferecer hoje, mais que uma apresentação, é
um tipo de meditação. Vou lhes fornecer algumas das idéias, pesquisas e
contemplações que venho tendo nesses últimos seis anos em que tenho
considerado a questão de "como poderia a astrologia ser validada".
Ela parece tão em contradição com o que a ciência ortodoxa nos diz... Gostaria de iniciar enfatizando que a principal corrente
científica não tem em verdade nada que desabone a astrologia. Os dois
argumentos contumazes dados pela ciência são os de que não há evidências para
a astrologia, nem mecanismos que a possam explicar. A
"não-evidencia" é simplesmente falsa, primeiramente pelo trabalho
de Michel Gauquelin. Tenho certeza de que todos vocês estão familiarizados
com este trabalho estatístico. Por mais válido e importante que seja,
baseia-se em estatisticas. E creio que algo do que veremos na próxima década
será um questionamento das estatísticas em si, como formas válidas de
epistemologia. De toda forma, há evidência científica para a astrologia. O
segundo ponto, a respeito do "não-mecanicismo", baseia-se nos
argumentos do tipo: o efeito gravitacional do médico sobre o recém-nascido
foi maior do que o de Plutão na hora do nascimento. Portanto, se o médico
nada tem a ver com a psique do indivíduo, como o poderia ter Plutão?... O
argumento é, em senso estrito, válido; mas o que tudo isso demonstra é apenas
o fato de que a astrologia não opera em termos de gravidade. Poderíamos
argumentar similarmente sobre interações eletromagnéticas e mesmo nucleares.
Chegaremos à mesma conclusão: é valida até onde conduz, porém não chega a
tocar a verdadeira natureza dos fenômenos. E ela não elimina explicações
alternativas. A astrologia não contradiz, em absoluto, qualquer dos fatos
científicos como os compreendemos. Está em discrepância com a injustificada
extrapolação daqueles fatos, com uma visão de mundo que se presume comprovada
pela corrente principal dos cientistas ortodoxos, mas as quais, na verdade,
são um conjunto de presunções sobre a natureza da realidade. A astrologia
está em disparidade com tais pressupostos, mas não com nenhum dos fatos
estabelecidos. Em 1975 aconteceu uma famosa declaração da astronomia contra a
astrologia, assinada por 186 cientistas. Os que a assinaram, em geral, pouco
ou nada sabiam sobre astrologia. Mas foi interessante ouvir algumas das
histórias sobre aqueles que não a assinaram, tais como Freeman Dyson do
"Instituto para Estudos Avançados" em Princeton. Ele recusou-se a
assinar por simplesmente não saber. E Carl Sagan, que vocês todos conhecem
como um homem de grande visão sobre os bilhões de estrelas do cosmos, creio
que ele também recusou-se a assinar. Não tenho certeza absoluta quanto a
isso, mas ele deu a seguinte declaração sobre a astrologia: "Bela forma
de se descartar de alguma coisa, por não sermos capazes de compreender como ela
funciona". O fato de não podermos pensar em nenhum mecanismo para a
astrologia é relevante, mas não convence. Por exemplo, nenhum mecanismo era
conhecido para o "continental drift" quando ele foi proposto por
Wegener. No entanto, podemos ver que Wegener estava certo, e que aqueles que
objetaram com base na inexistência de um mecanicismo estavam errados.
Basicamente, Sagan deveria ganhar o crédito pelo reconhecimento de que não se
pode descartar a astrologia simplesmente por não sabermos como ela funciona.
Talvez vocês estejam familiarizados com alguns dos trabalhos de Percy
Seymour, autor de alguns livros sobre ciência e astrologia, como "The
Scientific Basis of Astrology". Não sou íntimo conhecedor de seu trabalho, mas li boa parte
dele. A essência do que ele propõe é que a astrologia trabalha por uma
espécie de interação de campos magnéticos. O que lhes estou oferecendo aqui é
uma compreensão muito diferente. No meu entender, a astrologia
verdadeiramente é muito mais profunda do que qualquer processo que ocorra no
reino físico. Envolve alguma coisa que está além do reino físico, razão pela
qual estamos agora ganhando evidência crescente em alguns dos novos
desenvolvimentos em ciência moderna. E é sobre isso que quero lhes falar
hoje. Tais desenvolvimentos são o trabalho teórico de David Bohm e os campos
emergentes de dinâmica não-linear, e a "Teoria do Caos",
particularmente, a "Geometria dos Fractais". Estarei lhes dando um
exemplo adiante. Gostaria de iniciar com o trabalho de David Bohm em física teórica.
Bohm nasceu em 1917. Foi um jovem e brilhante físico que estudou na Berkeley
de Oppenheimer. Ele foi então para Princeton, tornando-se colega de Albert
Einstein. E, de fato, ele e Einstein tiveram discussões intensas sobre o
significado da teoria quântica. Bohm escreveu um livro sobre teoria quântica
que foi publicado em 1951, e que foi considerado por Einstein a mais clara
exposição sobre física quântica que ele jamais houvera visto. Os dois
tornaram-se muito íntimos, tendo-se dado então um desenvolvimento muito
peculiar. Bohm foi chamado a depor contra Oppenheimer durante o MaCarthysmo,
ao que ele se recusou. Embora Oppenheimer tenha sido inocentado, Bohm perdeu
seu trabalho em Princeton e teve que deixar o país. Assim, sua associação com
Einstein foi efetivamente rompida. Em seguida, Bohm foi para o Brasil, depois
Israel e terminou na Universidade de Londres, onde desenvolveu a maior parte
de seu trabalho. Sua contribuição básica para a física e para a ciência em
geral é ainda muito menosprezada e e eu proponho que ela nada mais é do que
uma compreensão completamente nova do que a ciência significa e do que ela é.
Gostaria de resumir suas contribuições. Primeiramente, um comentário sobre a maneira como Bohm
trabalhava. Ele tinha uma ânsia apaixonada e flamejante pela busca do saber,
por uma compreensão profunda sobre a natureza da realidade e da existência, o
que o conduziu para muito além dos limites da física. Como muitos de vocês
devem saber, ele conduziu um diálogo de 20 anos com o místico e sábio hindu
Krishnamurti. Ele mantinha também diálogos extensivos com outros mestres
espirituais, inclusive o Dalai Lama. E ele terminou desenvolvendo uma
compreensão teórica da física moderna que é verdadeiramente consistente com
os ensinamentos espirituais de eras atrás. E igualmente rica e complexa. O que me propus a fazer hoje é simplesmente sublinhar alguns dos
fundamentos de seu entendimento. A natureza básica da realidade, de acordo
com David Bohm, é aquilo que ele denominava "holomovimento" - holo,
significando holográfico, e movimento sugerindo dinamismo e processo.
Para usar suas palavras, a natureza da realidade é "uma única e
inquebrantável integridade em movimento de fluxo". Desta forma, tudo
está conectado e tudo está em fluxo dinâmico. Já nesse termo holomovimento,
‘holo’ refere-se à estrutura holográfica, significando que cada parte do
fluxo, de alguma forma, contém o fluxo como um todo. Nós estaremos procurando
por alguns exemplos sobre o que tal coisa poderia significar. E a parte
‘movimento’ do holomovimento é que o inteiro fluxo está numa constante
mudança processual. Bohm desenvolveu esta idéia a partir de sua
re-interpretação da física quântica. Muitos de vocês leram alguns dos
célebres trabalhos de Fritjof Capra e Gary Zuk e sobre aquela inteira
abertura que aconteceu ao final dos anos 70 e início dos 80, a respeito das
implicações essencialmente místicas da física moderna. O feito de Bohm foi no mínimo tão importante quanto; porém não
foi reconhecido como tal. Ele iniciou com a equação de Schroedinger, que é a
equação central da teoria quântica, e a subdividiu matematicamente em duas
partes. A primeira parte era essencialmente uma recapitulação da física
newtoniana clássica, e a segunda era um campo informativo em forma de ondas
(wave-like information field). A equação de Schroedinger é uma equação para o
movimento do elétron e oferece um insight em questões tais como: "Como o
elétron se comporta?", e "Qual é a natureza do elétron?"...
Bohm postulou que o elétron se comporta exatamente como uma partícula
clássica comum, contrariamente à teoria totalmente complementar de Neils Bohr
sobre a dualidade onda-partícula e a escola de interpretação de Kopenhagen.
Bohm dizia que o elétron comporta-se, sim, como uma partícula, mas tendo
acesso à informação sobre o restante do universo. Esta é a parte que os
físicos têm dificuldade em aceitar, como vocês podem imaginar, pois o elétron
está essencialmente agindo com uma espécie de consciência em relação ao resto
do universo. Tal consciência vem neste segundo termo, que Bohm denominou de
potencial quântico, e que é um campo informativo em forma de ondas (wave-like
information field) que fornece ao elétron acesso a informações sobre o
restante do universo físico. Bohm foi capaz de demonstrar que a influência desse
potencial quântico dependia apenas da forma e não da magnitude dessa forma de
onda. E por não depender da magnitude era, portanto, independente de
separação no espaço. Portanto, todo e qualquer ponto no espaço tinha uma
contribuição a fazer à consciência do elétron. Se tal coisa faz algum sentido, a essência é que o elétron é um
tipo de partícula guiada. De fato, Bohm usa a analogia de um avião 747 voando
sobre um oceano. Ele é guiado por ondas de rádio. As ondas de rádio, elas
mesmas não têm a energia para fazer com que um avião se desvie e altere seu
curso, mas provêm a informação da qual a aeronave se utiliza para responder e
ajustar seu curso. Portanto, as ondas de rádio contêm muito menos energia do
que a aeronave, num sentido físico. Mas a informação que elas contêm
possibilita à aeronave guiar e conduzir sua própria energia. Essencialmente é
este o mesmo tipo de entendimento que Bohm tinha acerca do elétron. Bohm
chegou a propor posteriormente que o holomovimento que eu mencionei consistia
de duas partes: uma ordem explícita e outra implícita. Irei esclarecer essa
diferença com um exemplo que o próprio Bohm desenvolveu. Imaginem uma jarra cheia de fluido muito denso, tipo glicerina,
um líquido altamente viscoso. No centro da jarra há uma vareta cilíndrica com
uma manivela, de tal forma que você poderá fazer a vareta girar. Adicione uma
gota de tinta à glicerina, e a tinta simplesmente permanecerá ali. Mas quando
você fizer girar o cilindro interno, ele irá puxar a gota de tinta e
espalhá-la. Se você continuar girando, a tinta irá se espalhando em linhas
longas, cada vez mais finas e apagadas. Eventualmente, caso você continue
esse procedimento, a tinta efetivamente chega a desaparecer por completo.
Você não mais poderá vê-la. Agora, neste ponto, é muito tentador concluir que
a ordem que existia originariamente presente na gota foi completamente
dissolvida ao acaso e de maneira caótica pela completa mistura da tinta à
glicerina a tal ponto que você nem mesmo pode ver mais a tinta. Contudo, se
você nesse ponto reverter a direção rotativa, descobrirá que a fina e longa
linha de tinta começará a reaparecer. À medida que você continuar a reverter
a rotação, ela continuará a se tornar cada vez mais espessa e mais claramente
definida, e eventualmente chegará a se reconstituir. Pois, esta é uma metáfora mecânica para aquilo a que Bohm se
refere. O que nos diz é que uma ordem oculta pode estar presente no que
aparentemente é caos. Este é um insight muito importante que Bohm teve,
portanto eu gostaria de repetí-lo. Com referência a este exemplo bem como à
realidade em geral, o que parece casual pode, efetivamente, conter uma ordem
oculta. E a menos que sua rede epistemológica seja suficientemente fina, ou
suficientemente ampla, você irá perder a ordem que se oculta. Bohm denominou
a tal ordem de "ordem implícita", pois embora a tinta se disperse a
ponto de não mais ser visível, sua ordem foi, de alguma maneira, preservada.
Ou, seria mais conveniente dizer ter sido ela transformada numa forma
diferente, mas não foi destruída. E ela pode mover-se, de implícita para
explícita, onde a ordem original torna-se então visível e manifesta. Então
teremos novamente a gota de tinta reaparecendo. Quando ela desaparece, Bohm
diria que sua ordem está envolvida na glicerina. Ao reaparecer, sua ordem se
recompõe à ordem explícita. Eu estarei me utilizando desses termos, de tal
forma que gostaria que vocês se familiarizassem com eles. O relacionamento
total entre as ordens implícita e explícita é verdadeiramente complexo, e eu
apenas direi poucas coisas a esse respeito. Se você estiver se debatendo para
encontrar um modo de compreendê-lo, uma forma muito simples é imaginar que a
ordem explícita é o reino manifesto; é o universo espaço-temporal em que
vivemos. Portanto, a ordem implícita é o que não se vê, o reino do
não-manifestado. É, talvez, tentador, pensar na ordem explícita como a
realidade primária, e a implícita como uma realidade secundária sutil. Para
Bohm, justamente o oposto é o caso. A realidade primária fundamental é a ordem
implícita, e a explícita apenas um conjunto de ondulações na superfície da
ordem implícita. De tal forma que, aquilo que podemos ver e sentir e tocar
são meramente as ondas na superfície da realidade, que é o vasto oceano da
ordem implícita. Outra maneira possível de se pensar sobre isto seria em termos
da nossa velha conhecida rede televisiva. A ordem implícita é essencialmente
toda a programação sendo transmitida a um dado momento, e a explícita aquilo
que aparece na tela naquele preciso momento. Portanto, a ordem explícita é
apenas uma janelinha estreita daquilo que realmente ali está - uma partezinha
ínfima que se manifesta num mar de possibilidades - e a realidade inteira
existe na ordem implícita. Outro ponto enfatizado por Bohm é o de que o espaço vazio é
parte do todo - esse movimento de fluxo incessante. O espaço vazio não é
apenas um gigantesco vácuo através do qual a matéria se move, mas antes,
espaço e matéria estão intimamente contectados. Esta é uma maneira muito
importante de se reconsiderar a ontologia do assim chamado "espaço
vazio". Bohm verdadeiramente efetuou alguns cálculos demonstrando que
cada centímetro cúbico do assim chamado "espaço vazio" contém mais
energia potencial do que toda a energia que se encontra manifestada no universo.
Da forma como ele coloca a coisa, o espaço é cheio, preferivelmente a vazio. Creio que isto lhes deu alguma idéia sobre o pensamento de David
Bohm. O que quero fazer agora é penetrar num exemplo mais concreto da
estrutura holográfica. Para fazer isso, irei me utilizar de um exemplo da
"Teoria do Caos" e da "Geometria Fractal". Este exemplo é
conhecido como o "Mandelsbrot Set". Muito do que estou dizendo, em
certo sentido, não será novidade para a maioria de vocês. Como astrólogos,
intuitivamente vocês conhecem isso. O ponto principal de minha apresentação
hoje será demonstrar-lhes de que maneira certas direções na ciência estão
emergindo em direção a uma compreensão paralela. O "Madelbrot Set"
é assim denominado em honra ao maremático francês Benoit Mandelbrot. Ele é
gerado por um processo não-linear de repetição. O processo em si é
incrivelmente simples. Basicamente, você o inicia com um número, eleva-o ao
seu quadrado, somando a ele, então, uma constante. O que lhe fornecerá outro
número. Então, você eleva esse novo número ao quadrado, soma-lhe a constante,
o que lhe dará um terceiro número, e continua repetindo este processo. Se tal
seqüência permanece limitada, isto é, se ela não se extrapola ao infinito,
então o ponto por onde você começou é considerado o "Mandelbrot
Set". Ele está na área negra. Se ele efetivamente se extrapolou ao
infinito, então estará fora do conjunto (set), na área branca. Caso você não
entenda a matemática, não se preocupe. Não é importante para o que estou
querendo lhes demonstrar. Vamos agora fazer um "zoom" nesse "Mandelbrot
Set" da ordem de cerca de um bilhão de vezes, e então você
verdadeiramente poderá visualizar a estrutura desse conjunto. Conforme
"mergulhamos" nele, você poderá começar a ver algumas regularidades
estruturais muito bonitas, e também alguns padrões que se repetem em
diferentes escalas. Você notará também que esses pequenos padrões começarão a
assemelhar-se a algumas partes da estrutura original. Para dar continuidade
ao nosso processo "zoom", eu gostaria de imergir em um desses
pequenos pontos brancos reluzentes e, como você poderá ver, existe
efetivamente algo de intrínseco, de delicadeza, de graça e de elegância nesta
estrutura. Prosseguindo, você irá notar que em meio a isto, existe um outro
pequeno ponto branco, de tal forma que agora iremos dar um "zoom"
exatamente ali, e então vocês poderão notar que alguma coisa está emergindo.
Se você examinar atentamente o centro daquele ponto branco, você verá o
reaparecimento da figura original, de tal modo que, aqui, temos exatamente a
mesma estrutura replicada numa escala um bilhão de vezes menor. Em
matemática, chamamos a isto de "estruturas auto-similares" ou
"nested sets". Em alquimia e astrologia, chamamos a isto "Como
acima, assim abaixo" (As above, so below). Em certo sentido, a ciência
está agora começando a descobrir, por intermédio de certos desenvolvimentos
recentes, alguns dos antigos ensinamentos e sabedorias. Quero dizer mais sobre a natureza disso. No exemplo de
Mandelbrot, lembrem-se de que demos um "zoom" de cerca de um bilhão
de vezes e encontramos uma estrutura que virtualmente se assemelha ao todo.
Contudo, se inspecionarmos mais de perto, constataremos não ser idêntica. Ela
é ligeiramente diferente, e não apenas isso: se você ampliar qualquer uma
dessas pequenas outras partes da mesma estrutura, novamente encontrará esses
pequenos conjuntos de Mandelbrot que ali jazem. Literalmente, existem bilhões
deles. De fato, há uma infinidade deles, pois cada um deles contem bilhões
dentro de si, e o processo de mundos dentro de mundos se prolonga. O que
temos aqui é um conjunto muito profundo de estruturas auto-similares
aninhadas (nested self-similar structures). Os cientistas iriam apresentar a
coisa assim. Temos aqui um tipo de evidência para a noção alquímica "As
above, so below". Mais que isso, tal fato revela a bancarrota
ontológica do reducionismo. A filosofia básica do reducionismo, que prevalece
na ciência ortodoxa, insiste em que, caso queiramos compreender um sistema
complexo, devemos seccioná-lo aos pedaços para torná-lo mais simples. O que
estamos descobrindo aqui é que, quando quebramos o todo em pedaços, cada
pedaço revela-se tão complexo quanto o todo original. E isto é uma
compreensão muito diferente. Agora você poderá começar a visualizar o que
queremos expressar com a idéia de que cada parte contém o todo. Pois ao
darmos o "zoom" numa dessas partículas mínimas do "Mandelsbrot
Set", que representa um bilionésimo do tamanho do total, ela apresentará
uma estrutura idêntica. O microcosmos tem, essencialmente, todos os elementos
do macrocosmos. Contudo, quero enfatizar que cada parte contém o todo, não a
nível manifesto, mas a nível de processo. Aquela partícula ínfima de
Mandelbrot não contém a outra, enorme, num sentido físico. Ela é pequenina
demais para isso. Mas, a nível processual, as duas são virtualmente
idênticas. Agora, qual o significado disso tudo, e o que significa em
termos astrológicos? Aqui tenho que convidá-los a um tipo de vôo ou fantasia
metafórica. E é o que eu quis dizer ao expressar que minha exposição seria
meditativa, requerendo um pensamento imaginativo. Gostaria de convidá-los a
considerar este "Mendelbrot Set" como uma espécie de cosmos.
Pensemos em cada minúsculo conjunto de Mendelbrot como um ser humano. Então,
se alguém adentrasse e contemplasse profundamente a natureza da existência de
alguém, chegaria à consciência do processo que gerou aquela existência. Ao
atingir tal consciência, apreenderíamos então o processo do cosmos como um
todo, pois eles são um e o mesmo processo. É como aquilo que os budistas
tântricos dizem: "Se você chegar a compreender o corpo humano de maneira
suficientemente profunda, você terá compreendido o Universo". E eles não
estão se referindo ao conhecimento físico. Estão se referindo a um saber a
nível energético, a nível processual. Neste caso ele é representado pela
equação simples de Mandelbrot, que é a ordem implícita. Até o momento, estes conjuntos de Mandelbrot que estivemos
examinando são estruturas estáticas. Elas são estruturas matemáticas fixas,
imutáveis. Agora, passemos a imaginar que aquelas estruturas e processos
subjacentes estão ambos se desenvolvendo no tempo. Imagine que tal processo -
a ordem implícita - está se alterando através do tempo e que, portanto, a
estrutura de Mandelbrot - a ordem explícita - está, ela mesma, se
transformando através do tempo. Eu cheguei a procurar por alguns vídeos que
representassem este esquema mas não consegui encontrá-los. Nem ao menos sei
se isso já foi representado matematicamente. Mas basicamente a idéia seria a
de que à medida que o processo subjacente a tal manifestação se desdobra e
modifica, então esta estrutura inteira iria acompanhar tal desdobramento e
modificação num tipo de dinâmica fractal. Vocês podem então imaginar que cada
uma dessas ínfimas partes subjacentes se altera e desenvolve de uma maneira
que estará diretamente correlacionada com a evolução do macrocosmos como um
todo. Neste sentido, começamos a compreender como poderiam existir
correlações entre a evolução do macrocosmos, isto é, o movimento dos
planetas, por exemplo, e a evolução de uma parte individual daquele
macrocosmos, ou seja, um ser humano. Isto conduz a um tipo de compreensão metafórica de como a
astrologia poderia funcionar, e realmente funciona, de uma maneira não-mecanicista.
Isto é muito importante de ser compreendido. Não é que Plutão envie
irradiações para dentro de seu cérebro, que atuaria como um rádio-receptor,
apreendendo-as, e então você sai a fazer coisas plutonianas. E não significa
também que Plutão esteja dentro de você, no sentido de que Plutão é
excessivamente grande para estar contido em seu corpo físico. É que o
processo que está ocorrendo em Plutão está ocorrendo em você também.
Literalmente. Assim, Plutão está literalmente contido em você, e em mim, mas
a nível de processo, não a nível de manifestação. (Em resposta a uma pergunta inaudível da audiência, Dr. Keepin
responde) O conjunto de Mandelbrot é verdadeiramente um objeto bidimensional,
que existe no complexo plano das matemáticas. E existe outra limitação para
esta metáfora como um todo que eu quero mencionar aqui. Basicamente o que eu
estou tentando sugerir aqui é que, de forma muito vaga, isto nos dá um modelo
para compreendermos alguma coisa sobre a natureza do modelo de funcionamento da
astrologia. O que significa que temos um processo gerador, ou ordem
implícita, e então temos um reino manifesto. E à medida que tal processo se
altera no decorrer do tempo, resulta num desdobramento cósmico que tem
correlações temporais entre as manifestações microcósmicas e macrocósmicas.
Mas, como vocês sabem, uma certa configuração astrológica arquetípica pode
resultar numa variedade de diferentes manifestações, dependendo das
intenções, do ser, e da integridade da pessoa envolvida. De tal maneira que a
coisa é muito mais complexa que isso. Aqui só pretendemos dar uma visão
simplista de como certas coisas poderiam estar funcionando. Só gostaria de
acrescentar algumas poucas coisas, e então encerrarei para que tenhamos tempo
para perguntas e respostas. Existe um tipo de estrutura holográfica para grande parte da
astrologia, e eu apenas mencionarei algumas poucas. Uma é a idéia dos três
planetas superiores serem as "oitavas maiores" dos planetas
pessoais - Netuno a oitava de Vênus e Plutão a oitava de Marte. Na medida em
que haja alguma validade para isto - não desejo retratar o caso como uma
verdade literal - refletirá relacionamentos de estruturas auto-similares em
diferentes escalas. De modo parecido, com relação a progressões, um ano
inteiro é essencialmente representado pelo movimento do Sol num único dia.
Existe um modo pelo qual o tempo também tem sua estrutura fractal. De fato,
David Bohm afirmou que cada momento do tempo contém todo o passado e todo o
futuro. O tempo não é uma corrente de fluxo fixa, o que é intrínseco à ordem
explícita. Antes, o tempo é um tipo particular da ordem explícita que se
desdobra como uma seqüência de eventos, sendo que passado e futuro são
medidas da profundidade da implicitação. Além disso, o tempo possui sua
própria ordem implícita que Bohm denominou de "ordem eterna", e que
se situa além de todo o tempo manifestado. Vocês podem começar a ver como
cada explicação tem uma implicação maior, e por aí vamos indefinidamente,
para níveis ainda mais sutis. No caso da astrologia, podemos encarar os arquétipos como um
tipo de ordem implícita, e quando eles se tornam explícitos, passam a ser os
próprios eventos manifestados. Mas poderia existir também uma ordem
super-implícita, superior a todos os arquétipos, e que os ordenaria. Portanto
a coisa se torna muito complexa, e Bohm, em verdade, chegou a desenvolver a
idéia da ordem super-implícita que irei simplesmente mencionar, mas não
chegando a esmiuçá-la. Ainda um outro exemplo de estrutura do tipo
holográfica em astrologia é o seguinte: você pode fazer uma leitura de mapa
baseado simplesmente em quais signos os planetas se encontram. O signos
realmente fazem referência ao cosmos como um todo, uma vez que eles
essencialmente dividem o universo em doze setores. Por outro lado, você poderá
também fazer uma leitura com base nos próprios aspectos e nos pontos médios.
No último caso, você estará apenas encarando a nível do Sistema Solar, e não
além. Na verdade, é possível ignorar completamente os signos, e ainda assim
obter uma leitura bastante acurada. Portanto, a mesma informação está contida
em diferentes níveis e, de alguma forma, replicada a nível do Sistema Solar,
bem como a nível cósmico. Agora, há um ponto final que desejo mencionar acerca do trabalho
de David Bohm. É um ponto muito importante e que não é enfatizado em muitos
dos escritos feitos a seu respeito. Bohm acabou chegando a esta idéia de um
tipo tripartido de ontologia. O que em síntese ele coloca, é que a realidade
consiste de matéria, energia, e significado. A compreensão física
comum em ciência é a de que o universo consiste de matéria e energia, e
Einstein chegou à gloriosa equação desses dois termos com E=mc2. O que Bohm
diz, contudo, é que o significado tem a mesma primazia ontológica que matéria
e energia. Deixem-me fornecer-lhes uma citação original. Bohm diz: "A
energia compreende matéria e significado, ao passo que a matéria compreende
energia e significado. (Quando você escutar esta palavra,
"compreende", pense na gota de tinta desaparecendo na glicerina).
Mas também, significado compreende ambos, matéria e energia. De tal forma que
cada uma dessas três noções básicas abrange as outras duas." O que Bohm está propondo aqui é um tipo de interpenetração de
matéria, energia e significado. Ele prossegue dizendo: "Isto implica num
contraste em relação à visão comum, qual seja, o significado é uma parte
inerente e essencial de nossa realidade como um todo, e não meramente uma
qualidade puramente etérica e abstrata que tem sua existência apenas a nível
mental, ou, para colocar de outra maneira, na vida humana. Quase sempre,
significar é ser. Em certo sentido, poderíamos dizer que nós somos a
totalidade de nossos significados." Para Bohm, a natureza da realidade é esta interpenetração de
matéria, energia e significado. O reino da matéria-energia é a ordem
explícita, ou reino manifesto. O reino do significado é a ordem implícita, e
existe uma interpenetração entre ambos. Gostaria de mencionar ainda que é daqui que tiro alguma
esperança para a possibilidade de "salvar o planeta". A maior parte
de meu trabalho é sobre ciência ecológica, e se você considerar os fatos
objetivos da crise ambiental, verá que ela é muito, muito preocupante. E se
você adotar o ponto de vista científico comum, de que temos que consertar o
planeta inteiro de modo incrementador, pedaço por pedaço, nenhuma esperança
resta. Porém, se você imaginar que alguns poucos dentre nós, bem
intencionados pequenos Mendelbrots, seremos capazes de ser suficientemente
auto-conscientes e entrarmos em contato com o processo que permeia toda a
realidade manifestada, penetrando na essência em si do próprio processo
criativo da Natureza, e trabalhando nesse nível - isto é o que se poderia
chamar de espiritual, ou de amor, ou seja lá o que for - então poderíamos talvez
ser capazes de afetar a própria evolução desse processo! Estou consciente de que esse deve ser um longo caminho, mas
adotando tal proceder poderíamos ser então capazes de obter um efeito muito
além de nossos números. E existe precedente para tanto em termos
cosmológicos. Por exemplo, todo o hidrogênio que há no mundo apareceu
instantaneamente. Não havia hidrogênio e então, subitamente, o hidrogênio
apareceu em tudo quanto é lugar, simultaneamente. O mesmo em relação às
galáxias. As galáxias não existiam até que em determinado momento todas
despontaram, cristalizadas e condensadas sob um formato. Essencialmente, elas
se manifestaram a partir da ordem da implicidade em todos os lugares e ao
mesmo tempo. Nesse mesmo sentido, através de uma ação profundamente
intencional no mundo, penso que algumas poucas pessoas podem potencialmente
causar uma diferença bastante significativa. As massas chamariam a tal coisa
intervenção divina. Encarariam isso como algo incrivelmente mágico, mas não
se trata de intervenção divina, e sim de divina arquitetura: é o modo como a
realidade está estruturada. E sabendo disso, e trabalhando a nível
processual, ao invés de meramente ao nível da manifestação, poderemos começar
a atingir aquele ordenamento mais profundo da realidade. Assim, para finalizar, gostaria de passar-lhes uma visão
positiva do futuro da ciência. Primeiramente, o que vem a ser ciência?
Ciência é um tipo de reconhecimento-padrão, e o que ele requer, o sine qua
non para a ciência, é a existência de algum tipo de ordem. Existe uma ordem
básica no reino material e assim temos a ciência ortodoxa, resultante do
estudo da ordem em termos de matéria e energia. Pelo mesmo enfoque, existe também uma ordem no significado. O
significado é ordenado, não arbitrário. Há inúmeros diferentes exemplos
disto, sendo um deles a beleza da música de Mozart em comparação com a de
Salieri, e que se constitui num fato objetivo. Mas isso não pode ser
mensurado com instrumentos de laboratório e nem através de uma tomada
microfônica. Nem a análise de Fourier das formas de ondas advindas daquele
microfilme jamais o habilitariam a distinguir entre a música de Mozart e a de
Salieri em termos da essência do gênio ou da beleza. Porém, ela está ali. A astrologia, em certo sentido, é uma ciência da ordem do
significado que interpenetra o universo físico espaço-temporal. E nisso,
penso, reside o fato de ela ser tão profunda. Pois de certa forma, todas as
ciências esotéricas, tais como o I Ching, o tarot, e outras, são ciências da
ordem do significado. Elas são essencialmente modelos da ordem implícita, em
certo sentido. Mas o que existe de tão profundo na astrologia é em virtude de
sua conexão com planetas e estrelas, o que precisamente modela a
interpenetração entre os reinos invisíveis do significado e o universo físico
espaço-temporal. Portanto, o que eu prevejo, ou talvez, pelo que eu rezo, para o
futuro da ciência? Essencialmente, uma grande síntese de ciências explícitas e
implícitas. A ciência ortodoxa de hoje em dia passaria a ser vista como uma
ciência parcial, limitada à ordem explícita. Ela se foca sobre aquelas partes
que vemos em nosso redor e erroneamente tomamos pela realidade total. Por
outro lado, a astrologia e as demais ciências esotéricas são ciências da
ordem implícita, e não apenas não contradizem as ciências físicas, como
astrologia e física são dois aspectos de um só e muito mais abrangente Todo.
Isto eventualmente conduzirá a uma grande síntese das ciências sagradas com
as seculares, numa ciência muito mais profunda do que a que temos hoje.
Obrigado." |
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